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sábado, 13 de dezembro de 2014

Por que o Instagram, com 300 milhões de usuários, ultrapassou o Twitter

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Em fevereiro do ano passado, o Instagram comemorava a marca histórica de 100 milhões de usuários ativos. Ontem, a empresa anunciou que já tem o triplo disso. Nada mal para um serviço que não chegou aos cinco anos de idade. É muita, muita gente. E agora deve ser o suficiente para por fim de vez à ideia de que o Instagram seria mais uma “modinha”. Os números recentes mostram que na verdade a rede de fotos tem potencial para crescer bem mais do que o Twitter, que é um nome bem mais badalado.
Sobre o Twitter, aliás, desde pelo menos o ano passado muitos analistas começaram a questionar se o serviço estaria estagnado. Afinal, a empresa anunciou que tinha 200 milhões de usuários em 2012, e esperava chegar no início deste ano com o dobro disso. Mas a verdade é que agora eles têm “meros” 284 milhões de pessoas que entram na famosa “rede de microblogs” (uma definição bem torta, mas enfim) todo mês. É claro que não é um número desprezível, mas mostra que ele parece não ter muito para onde crescer. Alguém entrando na internet hoje certamente fará uma conta no Facebook, para se conectar a todos os amigos, mas dificilmente se daria ao trabalho de escolher uma @arroba esquisita e veria redundância com o que já faz no Facebook. Fecha parênteses.
O Instagram, por outro lado, é bem mais simples de entender. Cada usuário publica uma foto, as pessoas normalmente curtem e comentam em cima dela. Não há nenhum mistério, e como o volume de atualizações é comparativamente menor do que o Twitter (dificilmente alguém posta mais de 5 fotos ao dia, algo bem mais comum com 140 caracteres), cada mensagem tem mais destaque, e literalmente ocupa mais espaço da tela. A receita simples, aliada à incrível velocidade e facilidade de usar o aplicativo – dos primeiros a serem criados exclusivamente pensando no usuário de smartphone – faz com que ele continue sendo bastante usado e crescendo em ritmo acelerado. Mas o interessante pra mim é que mesmo com as limitações da plataforma (ou justamente por causa delas), o Instagram viu usos cada vez mais diversos e interessantes.
Hoje, o Insta é, por exemplo, a principal plataforma de comunicação de algumas celebridades com seus fãs. Quando Neymar, com seus 13 milhões de fãs (de longe o perfil mais popular do Brasil) anunciou sua ida para o Barcelona, por exemplo, ele não o fez em uma coletiva de imprensa ou em entrevista exclusiva, mas ali, pelo Instagram. Para quem gosta de acompanhar o mundo dos famosos, o Instagram é potencialmente mais interessante que qualquer site de fofoca. Primeiro porque dá pra escolher exatamente quem seguir. E outra porque a informação não é mediada – é o que a pessoa fala, e pronto. Como o mundo das celebridades é o mundo dos flashes, a rede de fotos é o lugar ideal para estrelas desfilarem suas vaidades. O que os 23 milhões de seguidores de Justin Bieber no Instagram querem é, provavelmente, mais fotos do ídolo. E ele faz isso bastante, sempre que muda de visual. E aí é curioso como uma quantidade cada vez maior de “reportagens” de sites de celebridades são reproduções do que acontece no Instagram.
Quem também faz bom uso da rede são profissionais de saúde, nutrição e moda. Quando a imagem é tudo, ou boa parte da mensagem que você quer passar, o Instagram acaba sendo uma plataforma ideal para aumentar o seu público – ela é bem mais rápida (e fácil de produzir) do que os velhos blogs ou mesmo fanpages do Facebook. Então há uma profusão de celebridades de fitness que postam todo dia sua série de exercícios ou nutricionistas com uma foto caprichada do almoço com folhas e por que deve-se comer este ou aquele alimento.
E por fim e não menos importante, há a publicidade. Que demorou bastante tempo para aparecer (faltava, talvez, a possibilidade de vídeos para deixar o ambiente mais atraente), mas já representa uma receita importante para o Instagram. Porque, até agora, parece haver um cuidado para que mas mensagens publicitárias não pareçam tão alienígenas ao ambiente da rede, como acontece em alguns outros lugares. Um exemplo de uma boa:

O CEO Kevin Systrom disse ao Wall Street Journal que o Instagram vende anúncios “de uma maneira única”, já que o que aparece é publicidade de marca mesmo, não de produto, como é comum no Twitter ou no Facebook. São as marcas querendo contar suas histórias, de maneira (até agora) razoavelmente pouco intrusiva. Isso aliado à capacidade de ultradirecionar a publicidade para o público (cortesia dos engenheiros do Facebook, a empresa-mãe) dá a ideia de que o Instagram poderá ser bastante lucrativo.
Apesar de ser, na superfície, a mesma coisa desde que começou, o Instagram tem continuado a evoluir como produto, seja adicionando funcionalidades para enfrentar a concorrência (com vídeos ou mensagens diretas, que já tem 40 milhões de usuários), seja criando produtos realmente interessantes, como o ótimo app Hyperlapse. Entre os planos futuros estão a criação de “contas verificadas”, para pessoas e entidades famosas (como Twitter e Facebook) e um combate cada vez maior aos perfis falsos. Enquanto isso, o Twitter continua na sua interface “escondendo” informações que os usuários apreciam (como as mensagens diretas ou favoritos) e publicando coisas que as pessoas não querem ver, como a insistência em pessoas para seguir ou atualizações do tipo “fulano curtiu tal post”.
Seja como for, o problema do Instagram no futuro próxmo será (ou já é, em certa medida) a dificuldade de filtrar o seu feed. É impossível seguir uma quandiade muito grande de perfis, a não ser que você seja um usuário compulsivo. E aí o Instagram não faria mal de copiar coisas do Twitter, como a capacidade de criar listas, ou permitir que algum usuário fique no “mudo” por um tempo, sem deixar de seguí-lo. O serviço já tem uma boa aba de “descoberta”, além do seu blog, onde mostra imagens de alguns dos usuários mais criativos, fotógrafos excepcionais. Mas ela pode fazer mais para conectar as pessoas aos artistas da rede, e para isso deve apostar em curadoria humana, ao invés de simples algoritmos.
Pode ser que você torça o nariz para o Instagram. Assim como para muita gente é uma rede mais atraente que o Facebook, onde fica toda a família e colegas de trabalho. O que está claro é que, independente da sua rede social favorita, você estará na prática no Facebook. O império de Zuckerberg já tem 1,3 bilhão de usuários. Se você fugir dele, pode ser um dos 600 milhões que usa o WhatsApp, ou dos 300 milhões do Instagram. Como dizem os astronautas, lá do alto a Terra é azul.
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