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segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Pará é o 5º no ranking de estupros

O Pará está entre os cinco primeiros Estados do Brasil a liderar o ranking de casos de estupros. Na região Norte, é o primeiro nesse ranking negativo. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2014, foram praticados 3.015 crimes de estupro no ano passado. A média nacional é de 25 para cada 100 mil pessoas. O índice paraense está bem acima disso, com 37.7.
O estudo ainda revelou o crescimento assustador de uma violência praticada contra homens e principalmente mulheres. Nas últimas semanas, vieram à tona dois casos consumados e uma tentativa de estupro em Belém apresentados na Divisão Especializada no Atendimento à Mulher (Deam). A polícia tem feito levantamento para apurar outras ocorrências de crimes e se há ligação entre eles.
Segundo o relato das vítimas, as abordagens aconteceram de maneira semelhante. Em via pública, foram forçadas a entrar em um veículo com mais de um passageiro. E todos de boa aparência.
O carro se aproxima da vítima, o motorista pede uma informação e, quando a jovem percebe, está sendo ameaçada com uma arma. O medo se apodera da mulher, o que torna difícil hesitar em obedecer às ordens dos criminosos. Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da Polícia Civil se limitou a informar que as investigações na Deam correm em segredo de justiça e não respondeu aos demais questionamentos feitos por e-mail.
A principal orientação da polícia é que as pessoas evitem andar em lugares sem movimentação. Não só as mulheres, mas qualquer cidadão deve se manter alerta e evitar passar próximo a terrenos baldios e sem iluminação. Quem sofreu abuso é orientado, primeiramente, a procurar ajuda em um hospital, pronto-socorro ou qualquer ponto público. Em seguida, procurar uma delegacia para registrar boletim de ocorrência.
A partir de diversos tratamentos realizados com vítimas de estupro, a presidente do Conselho Regional de Psicologia, Jureuda Guerra, enfatiza que a vulnerabilidade é o fator principal para uma tentativa de assédio sexual.
“Sabe aquela coisa antiga da ocasião faz o ladrão? Pois é isso. O cara fica esperando o melhor momento. Isso é real. Tem mulheres que estavam indo de madrugada para pegar ficha no Posto de Saúde da Pedreira e foram violentadas”, relata.
Para a psicóloga, os estupradores não têm medo de ser pegos. “Eles têm uma personalidade de impunidade. Eles não têm medo. Eles têm que realizar aquele desejo naquela hora. Quanto mais perigoso, mais prazeroso. E o não ser pego é o que justifica a próxima vítima”.

ACIMA DE SUSPEITAS
Jureuda conta que atendeu uma mulher que jamais imaginava que seria estuprada por um homem que a abordou no bairro de Val-de-Cans. Segundo a vítima, ele estava em um carro de luxo, falava ao celular, se aproximou e disse que estava perdido, pois não era de Belém. Ela tentou ajudar. Foi aí que o homem a ameaçou e a forçou a entrar no carro.
“Ela me contou que no carro tinha sapato de criança, carrinho de bebê. Ele aparentava ser de classe média. Um cara com barba feita, cavanhaque, camisa de marca. Ela contou os detalhes. Dentro do carro, as maçanetas estavam com defeito. Não tinha como sair”, diz.
Para a psicóloga, um estuprador convive normalmente na sociedade e muitas vezes não é notado como alguém que comete tais crimes. “É um tipo de transtorno. É uma pessoa sociopata. Tem o comportamento social normal. Convive, frequenta igreja, mas esconde uma personalidade velada. Tem um véu que encobre. Quanto à cura? É muito complicado. Eu desconheço”.
(Diário do Pará)