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sábado, 7 de novembro de 2015

Cotijuba é atingida por óleo



Um mês após o desastre ambiental ocorrido no município de Barcarena, com o naufrágio de um navio no porto de Vila do Conde, nenhum plano apresentado pela Companhia Docas do Pará “supriu as necessidades consideradas importantes” pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) e pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para a retirada das carcaças dos bois e do óleo. A informação foi dada, ontem, pela Semas. Até agora, a secretaria já aplicou mais de R$ 100 milhões em multas às quatro empresas envolvidas no desastre - CDP, Minerva S/A, Norte Trading e Global Agência Marítima Ltda. Os mais de 4 mil bois continuam no fundo do navio. E barraqueiros e pescadores permanecem sem poder trabalhar, acumulando prejuízos.
Segundo Paulo Feitosa, do Instituto Barcarena Socioambiental, continua vazando óleo da embarcação. Na terça-feira passada, esse óleo chegou a Cotijuba. “O óleo que chegou lá é aquele preto, o mesmo que atingiu as comunidades ribeirinhas de Barcarena, Abaetetuba e Belém”, disse. Paulo afirmou que não houve mais a distribuição de cestas básicas às famílias. “Hoje (ontem) deram um garrafão de água para cada casa. Só que, em cada residência, moram três ou quatro famílias. Só dá para um dia”, disse. Paulo Feitosa afirmou que os pescadores não estão pegando peixes e, ainda que o façam, ninguém quer comprar esse pescado, por causa da contaminação. Os barraqueiros também estão sem trabalhar, porque as praias de Vila do Conde e de Beja, em Abaetetuba, continuam interditadas. “Tudo mundo está em situação difícil. Estamos recolhendo documentos da população para entrar com ação (de indenização) na Justiça”, afirmou, para acrescentar que os mais de quatro mil bois, em decomposição, continuam dentro do navio afundado.
A Semas acrescenta que, desde o início do acidente, ocorrido em 6 de outubro, está prestando toda a assistência necessária no que diz respeito ao meio ambiente e as comunidades da região afetada pelo desastre. Cerca de 20 técnicos da Secretaria estão trabalhando in loco e, também, em Belém para que os procedimentos ambientais sejam realizados de forma segura, visando sempre a proteção do meio ambiente. “Além disso, a Secretaria informa que todos os procedimentos legais já foram tomados e que, até o momento, nenhum plano apresentado pela empresa supriu as necessidades consideradas importantes pela Semas e também pelo Ibama”, conclui.
No dia 6 de outubro, o navio Haidar, de bandeira libanesa, e que transportaria quase cinco mil bois vivos para a Venezuela, afundou no porto de Vila do Conde, em Barcarena. Por volta das 8 horas, o navio adernou. Não houve vítimas humanas. 100 animais sobreviveram. Mas a maioria ficou no navio, que foi para o fundo do rio Pará. O naufrágio provocou um grande acidente ambiental que afetou, ainda, comunidades ribeirinhas de Barcarena, Abaetetuba e Belém. (Pararijos NEWS)