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quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Biometria atrapalha meia-passagem

Biometria atrapalha meia-passagem (Foto: Fernando Araújo/Diário do Pará)
(Foto: Fernando Araújo/Diário do Pará)
Ao experimentar pela primeira vez o sistema biométrico da carteira estudantil, Juliana Nascimento, 22 anos, levou quatro vezes mais tempo - e paciência. Na manhã de ontem, ela subiu num ônibus da linha Tapanã/UFPA e, ao colocar o dedo indicador direito na máquina, a digital não foi reconhecida. A segunda tentativa falhou. A terceira também. Só na quarta teve o acesso liberado.
Foram, no mínimo, 37 segundos gastos no procedimento, que normalmente leva em torno de 11 segundos. Uma diferença aparentemente insignificante, mas não para as outras 5 pessoas atrás de Juliana, que aguardavam para passar na roleta do coletivo. “Se for para ser sempre desse jeito, está ruim”, reclamou a estudante.
Desde 1° de novembro, os ônibus que circulam em Belém, Ananindeua, Marituba, Benevides e Santa Bárbara exigem a carteirinha de meia-passagem e a identificação digital daqueles que fizeram a emissão do 1° e 2° cartões Passe Fácil, de maio de 2014 até o presente momento, ou que efetuaram o cadastro biométrico.
Segundo os motoristas e cobradores, ainda são poucos os passageiros cadastrados e que utilizam a biometria. Entretanto, o motorista Emerson dos Santos Souza, 41 anos, conta que é recorrente a máquina não reconhecer a digital. Antes de o procedimento de identificação ser aplicado aos estudantes, já era utilizado pelos rodoviários. De acordo com ele, frequentemente é preciso colocar de 2 a 3 vezes o dedo na máquina. “Aconteceu várias vezes comigo. Quando sobem 6, 7 rodoviários, às vezes a máquina não lê. Com o estudante vai ser do mesmo jeito”, enfatiza.
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O cobrador Zaczon Maciel, 45, da linha Marituba/UFPA, diz que, na última segunda (2), uma estudante teve de pagar inteira porque, após aproximar a carteira, a máquina pediu a biometria e ela alegou não ter feito o cadastro. Kátia Rosário, 45, que também é estudante, confirma a situação. Ela diz ter amigos que pagaram passagens inteiras ao ir à universidade, pois o sistema pedia a biometria e eles ainda não tinham se cadastrado. “Eu disse para eles que isso era errado. Não deveriam pagar nada, só depois que se cadastrassem. Com esse sistema, ficou tudo mais lento”, declara Kátia Rosário.
Até os cobradores reclamam do novo sistema. Geisiane Rocha, 29, cobradora da linha Guamá/Montepio, diz que a biometria atrasa o seu trabalho, principalmente quando um usuário tenta usar a carteira de outra pessoa registrada biometricamente. Depois de mais de 3 tentativas, a máquina se bloqueia, a roleta trava e só é possível passar 3 minutos mais tarde. “Isso só dificulta mais ainda o nosso trabalho por causa da demora. Pensa nas filas nos horários de pico”, diz a cobradora.
(Renata Paes/Pararijos NEWS/Diário do Pará)