Google+ Badge

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Casal imperial se encanta com o Ver-o-Peso


O casal imperial japonês Akishino e Kiko tiveram um dia agitado, ontem, em Belém, Eles visitaram o Complexo do Ver-o-Peso, fizeram um passeio de barco, visitaram o Museu Paraense Emílio Goeldi e embarcaram para o Rio de Janeiro, para dar prosseguimento à sua agenda de visita ao Brasil.
Em visita ao Complexo do Ver-o-Peso, o Mercado de Peixes foi o lugar em que o príncipe Akishino - que é biólogo - mais tempo ficou, visivelmente admirado com a quantidade e diversidade do pescado, às margens da baía do Guajará, onde também passeou a bordo do Catamarã Tapajós, ao lado da princesa Kiko e de comitiva com representantes da Embaixada e do Consulado do Japão no Brasil, da Prefeitura de Belém e Governo estadual. O entusiasmo de sua alteza foi tanto ante a diversidade da fauna amazônica, que em certo momento, ele que já havia feito, pessoalmente, dezenas de fotos com sua máquina fotográfica, ficou praticamente de cócoras para registrar uma grande gaiola de ferro, cheia de galinhas picota, caipira e caipirão, patos e marrecos, para espanto dos mais próximos, sobretudo dos feirantes.  
“Ele me perguntou quanto tempo trabalho aqui e se gosto do que faço. Respondi, desde os 12 anos. Só não apertei a mão dele por causa do pitiú das minhas’’, contou sorrindo o experiente peixeiro Raimundo Nonato da Silva Soares, de 62 anos de idade, à frente de um talho abarrotado de filhote, dourada e pescada amarela. A banca de Raimundo Nonato foi uma das que mais chamaram a atenção de Akishino, que também quis saber sobre o sabor e habitat das espécies amazônicas.
O cerimonial do Governo japonês, tentou ao máximo, manter o casal real longe sobretudo da imprensa local. Os dois foram mantidos no interior de uma espécie de cordão humano. Havia, inclusive, policiais do governo japonês na comitiva, sinalizando por onde o casal deveria prosseguir o caminho, a pé. A imprensa paraense não pôde fazer perguntas e acompanhou tudo à distância. Mas, espontaneamente, o príncipe e a princesa se aproximavam das barracas de frutas e dos talhos de peixes, interessados nos feirantes, produtos e mercadorias.
Biológo, especialista em taxonomia, o estudo da identificação e classificação de peixes, sua alteza circulou calmamente pelo Complexo do Ver-o-Peso, atento ao pescado e às aves. Ele e a princesa Kiko andaram por pouco mais de uma hora pelo Mercado de Peixes e as áreas de hortaliças, frutas, aves e artesanato até próximo do setor de confecções, de onde foram levados, de carro para o Terminal Hidroviário de Belém, na avenida Marechal Hermes, 901, no bairro do Umarizal.
O casal real comprou artesanato e, com o auxílio de um intérprete, conversou com alguns vendedores e até visitantes da feira, a exemplo da comerciante Regina Oiso, descendente de japoneses que ao saber da presença dos príncipes no mercado, correu para vê-los e, por sorte, conseguiu a atenção da princesa Kiko. “Nossa estou emocionada, ela perguntou se eu era nascida aqui, se gostava de Belém’’, disse a comerciante. As duas conversam em japonês, sem a interferência do tradutor. “Eu disse a ela que tirando os assaltos, não há cidade melhor que Belém, as pessoas são maravilhosas’’, contou Regina sobre sua conversa com a princesa.
Especialista e grande admirador de peixes, Akishino mostrou também interesse especial pelas aves. Além de especialista em taxonomia, com foco em bagres, ele publicou este ano o livro, de sua autoria, de título “Domesticação e Criação de Variedades em Galinhas’’. No setor de aves, por exemplo, o príncipe comentou com o vendedor de frangos e patos, Edivaldo Moreira da Silva, 47 anos, que cria galinhas no Japão. “Eu disse para ele que as nossas aves são boas, principalmente, na panela. Ele riu’’, contou o feirante Edivaldo.
Na área de artesanato, Akishino comprou duas galinhas de barro, uma caipira (R$ 10,) e outra, da angola (R$ 20,00), além de um maracá feito de cabaça e sementes (R$25,00) e duas cuias, uma grande, rústica, e outra pequena, pintada de preto, de R$ 5,00 e R$ 3,00, respectivamente. Kiko por sua vez escolheu uma pequena bolsa de mão, de fibra regional.  
Príncipes japoneses passeiam de barco e visitam Museu Goeldi
Conforme estava pré-estabelecido, minutos depois, às 9h11, aconteceu o embarque dos príncipes no Terminal Hidroviário de Belém, na avenida Marechal Hermes, para um passeio fluvial na orla da cidade. Secretário de Estado de Turismo, Adenauer Góes, representou o governador Simão Jatene e recepcionou a comitiva e seguiu com eles no catamarã.
O passeio durou exatamente uma hora. Às 10h10, o catamarã Tapajós, de uma empresa de turismo local, com capacidade para 130 pessoas, estava de volta ao Terminal Hidroviário de Belém. Sua alteza e a princesa Kiko conheceram, do convés do catamarã, a ilha do Combu.
Durante o passeio, o casal real apenas tomou água, ‘’foi somente hidratação’’, disse a chefe do cerimonial do Governo do Pará, Lúcia Penedo. No entanto, havia um coquetel servido na embarcação. Curiosos, os funcionários do Terminal Hidroviário, em especial, atendentes de lanchonete, taxistas e carregadores de bagagens, acompanharam o embarque e o desembarque pelos vidros do hall que dá acesso à baía do Guajará.
O terminal não chegou a ser fechado temporariamente por causa da comitiva japonesa. Adenauer Góes contou que os príncipes se espantaram com a beleza do açaizal nativo. O secretário informou que explicou sobre como o ribeirinho da Amazônia costuma subir na árvore do açaí para apanhar o fruto, usando a tradicional peconha (corda feita de folhas e fibras do próprio açaizeiro, utilizada para escalar a árvore com uso de muita força nos pés e braços).
Adenauer Góes disse que também contou a lenda do boto e fez uma síntese do que percebeu do pouco tempo em que esteve com os dois. “São pessoas simples, gente como a gente’’, frisou o secretário estadual de Turismo.  
Espanto - O príncipe Akishino ficou “bastante espantado” ao saber que, de 2010 a 2014, pesquisadores do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) descobriram 240 espécies novas. A informação foi dada, ontem, pelo diretor da instituição científica, Nilson Gabas. Pela manhã, o príncipe e a princesa Kiko visitaram o campus de pesquisa do Museu, localizado na avenida Perimetral, no bairro da Terra Firme. O filho mais novo do imperador Akihito conheceu as coleções científicas daquela instituição de pesquisa. A chegada do casal estava marcada para as 11h20, mas houve um atraso de 30 minutos, algo incomum durante a permanência de dois dias deles em Belém.
O casal real conheceu a coleção entomológica (insetos) do museu. Eles chegaram a esse local, no qual a imprensa já os aguardava, às 13h04. E, três minutos depois, quando já haviam sido feitas fotos e filmagens, a segurança do príncipe pediu aos jornalistas que deixassem aquele ambiente. Na visita anterior a Belém, em 1988, ele já havia estado no “Emílio Goeldi”, mas em seu parque zoobotânico, no centro da cidade. O diretor Nilson Gabas disse ser uma honra o Museu ter sido a única instituição em que, nessa segunda passagem pela capital paraense, o príncipe e sua comitiva fizeram questão de visitar. “Já é a segunda vez que ele vem ao Museu Goeldi conhecer um pouco melhor o que a gente faz. O príncipe é presidente da Sociedade de Ornitologia (que estuda as aves) no Japão. Ele é formado em zoologia e tem interesse muito grande nessa área. E acredito que isso deva ter motivado a vinda dele aqui, além, é claro, das comemorações dos 120 anos de parceria e de união entre Brasil e Japão. A gente sabe que o Pará tem uma comunidade de japoneses bastante grande e significativa. Não é uma prerrogativa do Estado de São Paulo ter recebido uma leva bastante grande de imigrantes. O Pará também”, afirmou.
Ao chegar no campus de pesquisa, o príncipe e a princesa reuniram-se com dirigentes do museu, em uma programação institucional. Acompanhados pelo diretor Nilson Gabas e por pesquisadores do corpo científico, o príncipe conheceu as coleções científicas de peixes, insetos e pássaros. Para verificar melhor a coleção de insetos, o príncipe colocou seus óculos de grau. “O príncipe ficou impressionado com o tamanho da coleção ornitológica (com cerca de 70 mil espécimes) e com as novas espécies descobertas”, disse o ornitólogo Alexandre Aleixo, do MPEG, segundo a assessoria de imprensa da instituição. Na coleção ictiológica (ramo da zoologia que estuda os peixes), onde passou a maior parte das duas horas em que esteve no campus de pesquisa, Akishino quis ver os mesmos tipos de peixes que encontrou durante a sua ida, pela manhã, ao mercado do Ver-o-Peso, como o tamuatá e o filhote. Ao fim da visita, o casal imperial foi presenteado com seis livros publicados pelo Museu Goeldi e peças em cerâmica com inspiração marajoara e tapajônica, produzidas no distrito de Icoaraci.
Escoltados por 22 agentes do Departamento de Trânsito do Pará (Detran) e três da Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de Belém (Semob), que estavam em motocicletas, e sob a proteção de policiais federais, o casal real chegou ao Aeroporto Internacional de Val-de-Cães por volta das 15h30.     O príncipe e a princesa chegaram a Belém na tarde da última terça-feira. E, da capital paraense, ontem, seguiram para Brasília. Na capital federal, entre outros compromissos, está prevista audiência com a presidente Dilma Rousseff. Depois, o casal segue para o Rio de Janeiro. Akishino e Kiko chegaram ao Brasil no dia 28 de outubro, começando sua visita ao País por São Paulo. No próximo dia 8, eles embarcam para o Japão, em um voo com duração de 36 horas. (Pararijos NEWS