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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Área da Cosanpa é ocupada


Dezenas de pessoas invadiram um terreno da Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa), na Marambaia, próximo do canal Água Cristal. A ocupação começou na madrugada do último domingo, 7, quando homens e mulheres quebraram o muro da Companhia e iniciaram o corte de árvores e do imenso matagal existente no local. Na manhã de ontem, os ocupantes continuavam a desmatar a área, que ainda apresenta água empoçada com suspeita de funcionar como criadouro do mosquito Aedes aegypti. Em nota, a Cosanpa informou que no local funciona uma estação elevatória de tratamento de esgoto, e que, já no domingo, um representante da Companhia se reuniu com os invasores, que teriam se comprometido em não invadir o local. Mas, como o acordo não foi cumprido, a Cosanpa pretende acionar os órgãos de segurança pública para efetuar a desocupação pacífica.
Em sua grande maioria, os ocupantes se identificam como moradores do próprio bairro da Marambaia e como trabalhadores do mercado informal, sem condições de continuar pagando aluguel. Eles justificam a ocupação em razão do abandono do terreno e ao fato de a área, por ser abandonada, servir de foco de doenças, a exemplo de malária e da dengue, e ainda como local de desova de cadáveres.
O pedreiro Rodrigo Soares Santos, de 29 anos, arrumava seu lote, ontem pela manhã, em meio a outras pessoas que conversavam e, até tomavam café no local, após improvisarem um fogo com tijolos. Rodrigo contou que é a primeira vez que ele participa de uma ocupação. Casado e com uma filha de 6 anos de idade, ele contou que mora de aluguel num quitinete próximo do terreno, no valor de R$ 400,00, por mês. Para ele, a invasão é irreversível.
“Eles (a Cosanpa) têm de liberar ao menos a frente (da área) para a moradia, já é alguma coisa. Se eles não trabalharem com sabedoria e liberarem a frente e até o meio (do terreno), vai ser todo tempo isso. Vão construir o muro, de novo, e vão quebrar, de novo. Vai ficar nessa’’, disse Rodrigo Santos.
De início, os invasores informaram que cada ocupante chegava e delimitava sua área, mas devido ao crescente número de pessoas foi preciso criar o traçado das ruas entre os lotes. Porém, essa tentativa de organizar o espaço só está acontecendo na parte inicial e até o meio da área. Nos fundos do terreno, os invasores disseram que quem chega faz o que quer. “Cada um vai dominando até lá dentro, entedeu?”, disse um rapaz, que não quis se identificar.
‘’A gente é assim. Vem para conquistar. Nosso objetivo é ganhar a causa. Se a gente for pensar baixo, a gente não consegue melhoras. A maioria mora de aluguel, é tudo pai de família. São pessoas humildes, não têm uma renda fixa. A ideia é ocupar para morar. A área é grande e até para um vigia é perigoso ficar aí sozinho’’, comentou o pedreiro Rodrigo Santos. Ele informou que os lotes estão sendo organizados com 5 metros de frente por 15 metros de fundo.
“Não é porque a gente quer, é porque a gente precisa’’, assegurou o vendedor ambulante Gustavo Anderson Silva, 31 anos. Ele disse morar numa vila na rua São Franciso, também na Marambaia. “Estou desempregado. Sou casado, mas não tenho filhos. Eu pago R$ 300,00 reais de aluguel. Mês passado, vendi minha geladeira para pagar o aluguel por falta de condições’’, afirmou Gustavo. (Pararijos NEWS)