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sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Citado em gravação, Barbalho vai à tribuna pedir voto secreto sobre prisão de petista e é rechaçado


O mandato discreto do senador Jader Barbalho (PMDB-PA), de muitas ausências e pouca participação nas atividades parlamentares do Congresso Nacional, ganhou ontem ares semelhantes à época em que o peemedebista teve que renunciar a sua cadeira no Senado Federal, em 2002, para escapar de uma cassação, sendo até preso pela Polícia Federal por envolvimento no desvio de verbas da extinta Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam).
Nadando contra a corrente moralista de quase a totalidade dos senadores, Jader ocupou ontem a tribuna do Senado para defender o voto secreto sobre a prisão do colega Delcídio Amaral (PT-MS), que, inclusive, o cita no áudio em que articula a fuga de Nestor Cerveró. “Não precisa nenhum senador ser fiscalizado”, disse peemedebista ao pregar o voto obscuro. “Nenhum senador se sente confortável nessa sessão. Deus poupe o Senado de viver outros episódios como esse”, completou.
A Constituição determina que cabe ao Senado validar a decisão do STF quando se trata de um parlamentar no exercício do mandato. A maioria dos parlamentares defendeu publicamente o voto aberto, diante da gravidade da crise política atual.
Alguns chegaram a se manifestar contra o discurso de Jader Barbalho. “Tenho o direito de abrir o meu voto e o meu eleitor deve conhecer minhas posições. Eu quero que o eleitor saiba como eu voto. Eu quero ser fiscalizado”, argumentou o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), falando diretamente para o senador do PMDB.
O senador Blairo Maggi (PMDB-MT) foi outro que rechaçou a proposta de Barbalho de esconder o voto. “O meu eleitor merece saber o que seu senador decide aqui nessa Casa.”
Reações - No entanto, a maior reação contra a defesa de Jader Barbalho pelo voto fechado para se resolver a prisão de Delcídio Amaral veio da população, por meio das redes sociais. Durante o longo discurso citando o desconforto com a situação, internautas se manifestaram criticando e ironizando o peemedebista.
“@jader_barbalho tenho vergonha de ter esse cara como senador pelo meu estado. Voto secreto é coisa de bandido”, escreveu no Twitter do Senado, Fco de Carvalho (@cstfco), de Ourilândia do Norte.
“Corrupções dele são mais do que provadas”
A maioria dos comentários postados com críticas à defesa que Jader Barbalho fez do voto secreto argumentava que o peemedebista estava preocupado com o risco de ser o próximo político a ser preso.
“@jader_barbalho isso só é verdade para quem tem rabo preso”, escreveu Elizabeth Leal (?@bethlealpg). “@jader_barbalho Ele principalmente.. está defendendo o pp rabo”, disse Elza Edely (?@ElzaEdely). “@jader_barbalho Ele principalmente, que já sabe o conforto da prisão”, ironizou Yuri (?@yuriqrn). “@jader_barbalho Verdade, principalmente aqueles que são alvo de denúncias e delações e percebem que podem ser os próximos”, postou José Roberto (?@jrvwagner) durante o discurso.
Em outros textos no Twitter do Senado, era questionado como o senador paraense ainda tinha espaço na política brasileira. “Cara não entendo como o Jader Barbalho ainda é político. Corrupções dele são mais do que provadas. O Brasil país que ser corrupto é legal”, protestou Felipe Santana (?@felipessan).
Noblat - Jornalistas que cobrem a política brasileira se manifestaram durante o discurso. É o caso do jornalista Ricardo Noblat (@BlogdoNoblat) que postou: “Jader Barbalho é coerente quando se opõe à prisão de um senador. Ele já foi preso. Sabe quanto é duro.” Renata Lo Prete (?@renataloprete), da Globo News, também comentou: “Ao defender o voto secreto, Jader Barbalho diz ter ‘ojeriza pelas palmatórias do mundo1. No wonder.”
Senado dá aval à prisão de Delcídio decretada pelo Supremo
O Senado decidiu ontem, em votação aberta no plenário, manter a ordem de prisão expedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) contra o senador Delcídio do Amaral (PT-MS), líder do governo na Casa. Com isso, o parlamentar petista continuará preso por tempo indeterminado. A manutenção da prisão foi decidida por 59 votos favoráveis, 13 contra e 1 abstenção.
Delcídio foi detido ontem, pela Polícia Federal (PF), acusado de atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato. Em uma gravação, ele oferece R$ 50 mil mensais à família de Nestor Cerveró para tentar convencer o ex-diretor da área internacional da Petrobras a não fechar um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal (MPF).
Pela Constituição, prisões de parlamentares que estejam no exercício do mandato têm de ser submetidas à análise da casa legislativa a qual ele atua. (Pararijos NEWS)