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quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Comissão da Verdade ouve Aurélio do Carmo

Aurélio do Cramo fez diversos relatos à comissãoAurélio do Cramo fez diversos relatos à comissão
A Comissão Estadual da Verdade iniciou a etapa das oitivas para colher depoimentos em busca de esclarecer fatos ainda obscuros em relação aos crimes contra a dignidade humana ocorridos nos períodos de exceção democrática no País, em especial durante a Ditadura Militar, de 1964 a 1984. O primeiro depoente foi o ex-governador Aurélio do Carmo, que governou o Pará entre 1962 e 1964, que tem 92 anos. Ele fez diversos relatos na tarde de ontem, no auditório João Batista, na Assembleia Legislativa do Pará (Alepa), na Cidade Velha.
O ex-governador foi eleito com 70% dos votos válidos em 1962. Entretanto, dois anos mais tarde foi cassado pelos militares. À época, o jovem advogado foi acusado de corrupção e subversão. No ano passado, Carmo e mais dez deputados também cassados pelo regime militar tiveram seus mandatos devolvidos de forma simbólica, em sessão solene na Alepa.
“Após a deposição, não me sentia muito à vontade para ficar na minha cidade de Belém e fui para o Rio de Janeiro, onde fiquei por 10 anos, mais pelo ambiente que se criou ao entorno dos que exerciam o poder. Pessoas que eu ajudei se afastaram de mim, me sentia um leproso moral. No Pará houve tortura física e moral. Sofri somente a moral. Eu era jovem, tinha 38 anos, eleito pela maioria esmagadora e, de repente, fui ateado do poder, sem ter nenhum preparo psicológico. A cada dia que passa tenho mais consciência que fui injustiçado. Nada explica minha saída do governo. Sinto como o golpe militar me fez mal, à minha família e aos anseios de uma juventude que me escolheu para exercer o poder. Contudo, quando fui eleito governador eu sentia que quem estava no governo era o povo e eu tinha que lidar bem com todos”, opinou Aurélio do Carmo.
O Liberal