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terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Novo mínimo vai injetar R$ 1,7 bilhão no Estado

Novo mínimo vai injetar R$ 1,7 bilhão no Estado (Foto: Rafael Neddermeyer/Fotos Públic)
Apesar do reajuste, remuneração não conseguirá suprir todas as necessidades dos trabalhadores. (Foto: Rafael Neddermeyer/Fotos Públic)
MATHEUS MIRANDA

Pelos próximos 12 meses, cerca de R$ 1,7 bilhão deverão ser introduzidos na economia paraense em virtude do novo salário mínimo de R$ 880, que está em vigor desde o primeiro dia do ano. É o que informa estudos do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA).

Com reajuste de 11,68% em relação ao valor do mínimo passado, o montante só deverá surtir efeito no início do mês de fevereiro, quando os trabalhadores recebem seus salários referentes a janeiro. Desde abril de 2002, quando foi feito acordo entre o Governo Federal e os trabalhadores de centrais sindicais, o valor atribuído ao reajuste é considerado o maior avanço real em quase 76 anos de história do salário mínimo no País, apontando uma valorização de aproximadamente 77%.

De acordo com a Lei, o valor do novo mínimo é definido a partir de fórmulas negociadas com as centrais sindicais, sendo elas aprovadas pelo Congresso Nacional, levando em conta a oscilação do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos passados, além da variação anual da inflação medida pelo INPC/IBGE, até então de 11,17%.

De acordo com pesquisa do Dieese/PA, a expectativa de impacto do novo mínimo na economia nacional é de aproximadamente R$ 57,042 bilhões nos próximos 12 meses, beneficiando cerca de 48,3 milhões de pessoas. Estima-se que R$ 3,160 bilhões entrem na economia da Região Norte, alcançando aproximadamente 2,6 milhões de pessoas, sendo que, desse valor, 54,19% são destinados à economia do Pará, alcançando assim a marca de R$ 1,7 bilhão, uma média superior a R$ 100 milhões por mês, alcançando aproximadamente 1,4 milhão de pessoas. De acordo com análises, o Estado do Pará tem como remuneração máxima o salário mínimo para 1,4 milhão de habitantes, ou seja, 40% da população de um total de 3,6 milhões de pessoas ocupadas, sendo mais da metade homens.

PODER DE COMPRA

Apesar do novo valor do mínimo, é visível que seu poder de compra é pouco. Em novembro passado, a cesta básica dos paraenses custava, em média, R$ 325,69, envolvendo 45% do salário passado, apenas com a alimentação. Com o novo valor, o abatimento deve ser menor, apesar de não atender a total necessidade básica da população, incluindo alimentação, vestuários e locomoção.

Para o Dieese/PA, se inclusas todas essas necessidades, o valor correto do salário mínimo deveria beirar os R$ 3.400, bem longe, portanto, do valor do novo salário mínimo.

(Pararijos NEWS/Matheus Miranda/Diário do Pará)