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sábado, 15 de novembro de 2014

Eleição no Remo está na Justiça

A eleição para a escolha do novo presidente do Clube do Remo está marcada para o dia 13 de dezembro, isso porque a primeira, dia 8 último, terminou em confusão e o resultado das urnas, com o empresário Pedro Minowa como vencedor, anulado. A história toda da primeira eleição direta dos 109 anos de história azulina só não é totalmente mal contada porque ainda está inconclusa. A Chapa 2, que venceu o primeiro pleito, entrou na Justiça Comum tentando validar o que foi escolhido nas urnas. Pano para manga é o que não falta.
Curiosamente, ambas as chapas são faces da mesma moeda. São formadas por pessoas que já vem trabalhando no Remo há algum tempo. Contratação de um treinador jovem e que tenha capacidade de trabalhar com a base, que nas promessas de campanhas será valorizada, a finalização das obras no Baenão, política de pés no chão quanto aos gastos, etc. Em suma, tudo o que vem sendo prometido nos últimos anos. O diferencial, e isso as duas chapas fizeram, foi trazer a Belém empresas de consultoria esportiva que farão um diagnóstico dos problemas do clube quanto ao futebol profissional.
Os problemas e as obrigações de um clube do tamanho do Remo não se resumem ao futebol profissional. Pelo contrário. Por mais que ainda seja subaproveitada, a sede social da Avenida Nazaré ainda respira com modalidades amadoras e, em especial, pela utilização de seu tradicional parque aquático. Mas, é inegável que o futebol acaba gerando receita a todos os setores do clube, direta e indiretamente. Sem dinheiro em caixa para negociar jogadores para serem contratados ou irem embora e, ainda por cima, sem tempo, os adversários das urnas ensaiaram uma aproximação para tratar desse assunto, mas as conversas têm sido difíceis. Em pauta, dentro das quatro linhas, três assuntos que de imediato têm que ser resolvidos logo para evitar dissabores daqui a pouco tempo.
FUTEBOL
Carro chefe do clube, o futebol é um problema no Remo. Sem comissão técnica e prestes a ficar sem elenco, o Remo já está atrás da maioria dos demais times do Brasil nesse sentido, de montar uma equipe para 2015. Mais de 90% do elenco fica sem contrato até o fim de novembro, sendo que os que têm vínculo não têm a menor garantia de que serão aproveitados se levado em consideração o que fizeram nesta temporada. Com exceção dos jogadores das categorias de base, que têm vínculo por mais tempo, caso do atacante Rony, quem começa o ano que vem com contrato são jogadores como o goleiro Fabiano, o meia Eduardo Ramos, o lateral esquerdo Jadilson e o atacante Leandro Cearense. Estes dois últimos têm compromisso até janeiro e maio, respectivamente, já os dois primeiros têm mais um ano de contrato. “Não vamos mais fazer loucuras. Nossas contratações terão que ser mais acertadas e com os pés no chão”, comentou o ainda presidente Zeca Pirão, na última quinta-feira. O dilema azulino não é pequeno, pois vê-se na obrigação de ter que investir no Parazão, uma competição deficitária, para conquistar a vaga para a Série D do Campeonato Brasileiro, que é igualmente deficitária, mas que pelo menos garante o acesso a quem for bem nela.
BASE
Quando contratou Roberto Fernandes para comandar o Remo ainda no meio do Campeonato Paraense, a diretoria do Remo praticamente jogou a pá de cal sobre o discurso de valorização da base. Não é a característica do técnico pernambucano dar muitas chances à garotada. A despeito de Rony ter aparecido como grande revelação do clube no ano, isso se deu mais pela inoperância dos demais atacantes. Leandro Cearense e Val Barreto primaram pela irregularidade e Leandrão e Zé Soares... bem, deles a torcida não quer nem lembrar. “Quem poderia imaginar que jogadores como Leandrão, Athos, não dariam certo”, chegou a indagar Pirão na semana passada. Se levado em consideração o passado recente desses e de outros reforços do Remo esse ano, muita gente imaginou. Jovens valores como Igor João, Warian Santos e Tsunami mal tiveram chances e hoje o clube passa por um processo de resgate desses atletas, que ameaçaram ir embora. Mas, o caso mais emblemático é de Jhonnathan, meia que de titular absoluto passou a ser nem relacionado. Mais do que aproveitar a garotada, o clube vai ter que dar mais estrutura para que novos valores apareçam.
BAENÃO
“Temos investidores prontos para trabalharmos no Baenão assim que formos eleitos. Assim como temos um CT já em condições se ser utilizado”. Se a declaração de Pedro Minowa, dada antes do primeiro pleito, não for apenas bravata de candidato, vai ao encontro do que o clube necessita de imediato. A obra no Evandro Almeida precisava ser feita, está em menos da metade. Gramado, revestimento de blindex e reforma nas partes elétrica e hidráulica não são para serem ignoradas, mas o caminho ainda é longo e árduo. “É um compromisso meu. Não posso sair do clube sem finalizar o Baenão”, diz Pirão. É um desafio e tanto, já que falta todo um lance de arquibancada e cadeiras, assim como a construção dos camarotes. Por enquanto, o estádio azulino não está liberado para jogos oficiais com mais de sete mil pessoas.

O Liberal