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quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Valcke demitido da Fifa


A Fifa anunciou na manhã de ontem que não iria aguardar uma decisão final dos órgãos judiciais e decidiu demitir o francês Jérôme Valcke, responsável por organizar a Copa do Mundo, em 2014, no Brasil. O Comitê de Ética da Fifa já havia recomendado a suspensão por nove anos do ex­-secretário­ geral da entidade. Violando sete artigos do código de ética da entidade, Valcke poderia ser impedido até mesmo de entrar em um estádio até o ano de 2025. Ele é denunciado por “oferecer e receber presentes e outros benefícios”. Além da suspensão, ele pagaria uma multa de US$ 100 mil.
Em 2015, a reportagem do Estado revelou ao lado de jornais como The Guardian e Wall Street Journal como Valcke atuou nos bastidores para lucrar milhões de dólares com a venda de ingressos para a Copa de 2014. O esquema ilegal para comercialização dos bilhetes foi o principal motivo da demissão.
Agora, a decisão está nas mãos dos juiz Hans­Joachim Eckert, que avaliará as denúncias de violação de regras de conduta, lealdade, confidencialidade, conflito de interesses, obrigação de colaborar e oferecer e aceitar presentes e outros benefícios.
Valcke, que chegou a pensar em uma candidatura para a presidência da Fifa, foi afastado depois de o Estado e outros nove jornais internacionais revelarem que o francês fechou acordos para ficar com parte dos lucros da revenda de ingressos para a Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil, num esquema com ágio de mais de 200% nos valores das entradas e que teria envolvido mais de 2 milhões de euros (R$ 8,6 milhões) apenas para o bolso do dirigente.
Falastrão e milionário, Valcke ficou conhecido por ter sugerido que o Brasil levasse um “chute no traseiro” pelos atrasos na obras da Copa do Mundo. Na Fifa, ele levou a entidade a ser condenada por uma multinacional, o que custou a ela US$ 90 milhões em 2006.
Naquele momento, a Fifa também anunciou seu afastamento. Mas ele voltaria em 2007 como número 2 da entidade. Agora, as alegações apontam para a organização de um verdadeiro mercado negro de ingressos operando dentro da própria Fifa. A denúncia foi apresentada por Benny Alon, empresário israelense e americano que desde 1990 trabalha com a venda de entradas para os Mundiais. Sua empresa, a JB Marketing, ainda apontou para o “desaparecimento” de 8,3 mil entradas para a competição, que teriam de ser vendidas por eles no torneio.
O ex-­secretário ­geral da Fifa ainda é acusado de ter obrigado a entidade a pagar cerca de US$ 150 mil para alugar um apartamento de luxo do ex­-craque Ronaldo para que, em 2013, pudesse se hospedar no Rio de Janeiro para preparar a Copa do Mundo de 2014. Os dados foram publicados por um dos principais jornais suíços, o Tages Anzeiger. Segundo o jornal suíço, porém, a Fifa alertou que alugar uma suíte de hotel sairia mais barato que alugar o apartamento de Ronaldo, que na época fazia parte do Comitê Organizador Local, presidido do José Maria Marin. “Mas Valcke insistiu no apartamento. A Fifa pagou”, escreveu o diário suíço.
A reportagem também conta como Valcke usou o jato privado da Fifa para viagens pessoais, levando inclusive seus filhos. Em 2012, o francês embarcou até Nova Delhi para uma reunião com a federação local. Mas aproveitou para dar um pulo também no Taj Mahal. Naquele momento, a Fifa não tinha regras sobre como os dois jatos da entidade deveriam ser usados. Agora, uma das prioridades da reforma de Domenico Scala foi a de estabelecer diversas regras, inclusive para o uso dos jatos.
Segundo o jornal, Valcke também ajudou seu filho, Sébastien, a fechar acordos com a Fifa. Um deles se referia à empresa EON Reality, dos EUA. A companhia é especializada em hologramas e a ideia da Fifa era de trazer a tecnologia para o futebol. O contrato ficaria em US$ 700 mil. Mas a EON, segundo o jornal, contratou justamente o filho de Valcke. Para completar, ele ficaria com 7% (cerca de US$ 50 mil) como comissão por ter aproximado a empresa da Fifa, dirigida por seu pai. (Pararijos NEWS)