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sábado, 16 de janeiro de 2016

CNBB quer dura punição para coibir exploração sexual de crianças nos rios


A Comissão Justiça e Paz (Regional Norte 2, que abrange o Pará e o Amapá), da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), vai agendar uma reunião com a presidência do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) para discutir a aplicação de multas aos donos de embarcações nas quais crianças e adolescentes são exploradas sexualmente, no Marajó. Essa foi uma das deliberações tomadas, ontem à tarde, por integrantes da Comissão Justiça e Paz (CJP), que se reuniu na CNBB, em Belém. Foi a primeira reunião deste ano.
Embora seja uma prática antiga, e já amplamente denunciada, a exploração sexual das crianças continua ocorrendo nos rios da região. Por causa da miséria em que vivem com suas famílias, essas meninas são exploradas em troca de um litro de óleo diesel, de um pacote de bolacha ou de uns poucos reais. Essa situação é verificada nas balsas que navegam pelo rio Tajapuru, que margeia os municípios de Breves e Melgaço, na ilha do Marajó. Pelo rio Tajapuru, passa uma grande quantidade de mercadorias e do transporte de passageiros na rota entre Belém e outras cidades da Amazônia.
A ideia da reunião no TRT, que deverá ocorrer ainda neste mês de janeiro, é para que sejam multados os donos das balsas e navios que permitirem essa exploração sexual em suas embarcações. “A partir do momento em que mexer no bolso deles, talvez seja a forma de estarem mais atentos. Se as embarcações não permitirem a entrada dessas crianças e adolescentes nas balsas, com certeza esse crime vai ser amenizado. O rio é a rua das balsas. E, se não tem a entrada das crianças nesses espaços, não tem como ficarem expostas a esse crime”, disse a irmã Henriqueta Cavalcante, secretária executiva da Comissão Justiça e Paz.
Em dezembro de 2014, este jornal publicou reportagem sobre o tema. Naquela ocasião, irmã Henriqueta relatou que, em relação às balsas, os funcionários dessas embarcações mantém contato, via rádio, com as famílias dessas crianças e adolescentes, que também ficam com esse equipamento de comunicação. Eles as alertam do momento da passagem da balsa. Sozinhas, meninas de 8, 9, 10 anos vão de canoas até aquelas embarcações. Atracam os “cascos” (pequenas canoas com remos) e sobem nas balsas. Viajando sempre para o Marajó, para combater as diversas formas de violência e de violação de direitos humanos, irmã Henriqueta já conversou muito com as mães dessas crianças. E o relato delas é igualmente preocupante. “Elas dizem: ‘se eu não deixar a menina ir para as balsas, ela vai comer o que? Vai viver do quê?’”. A irmã acrescentou, à época: “Isso está me maltratando. Se essas meninas e meninos são explorados sexualmente é porque faltam oportunidades de vida. Possibilidades para que possam morar bem, comer bem, viver com tranquilidade”.
Essa realidade, porém, continua. Na reunião de ontem, os integrantes da Comissão Justiça e Paz também definiram que vão ampliar as parcerias para o enfrentamento à exploração sexual e ao tráfico humano. “Permanecem alguns desafios que são bem conhecidos, como a questão da inexistência de políticas públicas em alguns municípios, o que favorece bastante. A questão da pobreza é um elemento que tem nos preocupado. Se a gente não enfrenta a pobreza, a situação da exploração, da violência vai continuar permanecendo, principalmente a questão da exploração sexual. As crianças que estão expostas em situação de vulnerabilidade para a exploração sexual são justamente as crianças que também estão em situação de miséria. Isso também é bastante preocupante, porque a gente não consegue ver um fim para essa situação. A gente não vê uma preocupação por parte do estado para enfrentar essa pobreza, essa miséria que vem aí se alastrando cada vez mais, principalmente na região do Marajó, e causa transtornos para muitas vidas de crianças e adolescentes”, afirmou a irmã Henriqueta. (Pararijos NEWS)