
Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeira (Coaf) que
aponta movimentações financeiras "atípicas" do ex-presidente Luiz
Inácio Lula da Silva, dos ex-ministros da Casa Civil Antonio Palocci e
Erenice Guerra, e do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT),
levarão a oposição a pressionar pela convocação dos petistas na CPI do
BNDES. Segundo reportagem da revista "Época" deste fim de semana, Lula,
Erenice, Palocci e Pimentel teriam feito operações financeiras com
movimentações de R$ 300 milhões. Eles integram um grupo de 103 pessoas
que movimentaram meio bilhão de reais de forma suspeita. O relatório do
Coaf, segundo a publicação, foi enviado pelo banco estatal à CPI do
BNDES.
Deputados do PSDB e SD, que têm assento na comissão de inquérito,
pedirão na semana que vem que sejam colocados em votação requerimentos
para convocar Lula, Palocci e Pimentel. No caso dos três petistas, já
foram apresentados à CPI pedido para que sejam chamados por negociações
suspeitas junto ao BNDES. Quanto à Erenice, que foi ministra da Casa
Civil no primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff e sua secretária
executiva na pasta durante o governo Lula, os tucanos apresentarão
terça-feira o requerimento.
"Todos os elementos apontam para a importância de ouvi-los e eles
poderiam aproveitar a oportunidade para esclarecer essas movimentações
incompatíveis. Há indícios de movimentações suspeitas e o relatório
parece bastante incisivo", disse o deputado Miguel Haddad (PSDB-SP),
integrante da CPI.
Ele disse que um dos requerimentos de convocação do ex-presidente
Lula é de sua autoria e que pedirá uma reunião da comissão na semana que
vem para votá-lo. Havia uma reunião deliberativa marcada para amanhã,
mas ela foi cancelada pelo presidente, deputado Marcos Rotta (PMDB-AM).
Na quinta-feira, há sessão da CPI para ouvir depoimento do empresário
Eike Batista sobre negócios de suas empresas com o BNDES. Outro
integrante da CPI, o deputado Augusto Coutinho (SD-PE), pedirá acesso à
integra do relatório do Coaf remetido à comissão.
"É fundamental que a gente tenha acesso a esses documentos para
constatar o que há de suspeito, efetivamente. Vou sugerir ao presidente
na terça-feira que coloquemos requerimentos de convocação em votação",
disse o parlamentar.
Apesar da pressão que a oposição fará, não será tarefa simples
aprovar requerimentos convocando ex-ministros e, principalmente, o
ex-presidente Lula. Dos 27 integrantes titulares da CPI, 15 são de
partidos da base aliada. "O voto dos parlamentares aliados é muito
pendular. Depende de como está a relação com o governo em determinada
semana e, também, como está o termômetro do andamento do pedido de
impeachment da presidente Dilma. Quando ela parece se fortalecer,
aproxima a base. Quando parece mais fraca, todos dispersam", disse um
deputado governista. (Pararijos NEWS)